Importância do Exercício Físico para o Controle Glicêmico

Importância do Exercício Físico para o Controle Glicêmico

A atividade física oferece muitos benefícios para o corpo em qualquer idade e é considerada uma excelente estratégia para melhorar a saúde e a qualidade de vida do ser humano. O sedentarismo é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes e a hipertensão arterial. 1

Você sabia que mais da metade da população brasileira não pratica nenhum exercício físico? Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, O Brasil é o 5° país mais sedentário do mundo, o que justifica o aumento dessas doenças! 2,3

A prática de exercício físico é determinante na prevenção do diabetes tipo 2 e no tratamento de todas as formas de diabetes mellitus (DM), mostrando benefícios como: 4

  • Controle do peso corporal;
  • Diminuição da gordura corporal;
  • Redução do risco cardiovascular;
  • Aumento do bem-estar;
  • Maior controle do índice glicêmico.

Como a Atividade Física ajuda no Controle do Índice Glicêmico? 5-7

Durante o exercício físico, ocorre o aumento da captação da glicose no músculo em contração, ou seja, um efeito parecido com a ação da insulina sobre a captação da glicose. Estudos afirmam que uma única sessão de exercício pode aumentar a sensibilidade à insulina por dezesseis horas após o exercício. Isso significa que a glicose continua sendo mais bem utilizada após o treino e com isso, ocorre diminuição das chances de hiperglicemia. Boa notícia né?

Qual é a recomendação para a prática de Exercícios Físicos por pessoas com Diabetes Mellitus? 4,8

A atual recomendação para a prática de exercícios físicos por pessoas com diabetes envolve:

  • Combinação de exercício aeróbio (exemplos: caminhada rápida, corrida, bicicleta e natação) com exercício resistido (exemplos: peso livre, aparelhos de musculação, banda elástica ou uso do próprio peso corporal);
  • Aumento progressivo de tempo, frequência, carga e intensidade;
  • Mínimo de 150 minutos semanais de exercício aeróbio, de moderada ou vigorosa intensidade, sem permanecer mais do que dois dias consecutivos sem atividade. Isso porque a captação da glicose permanece aumentada por até por até 48 horas, através de mecanismos dependentes da insulina.

Exercícios HIIT e Benefícios para Controle do Índice Glicêmico 8

O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT - high-intensity interval training) é uma forma de exercício eficaz e flexível em termos de tempo para indivíduos que querem controlar o seu índice glicêmico. É uma alternativa para indivíduos jovens bem condicionados. Sua recomendação é de pelo menos 75 minutos por semana, não devendo ser feito em dias consecutivos.

Benefícios:

  • Melhora o pico de VO2 (volume de oxigênio);
  • Possibilita maior controle da glicose no sangue;
  • Diminui o risco de hipoglicemia em comparação ao treinamento contínuo.

Atenção: Alguns exercícios são contraindicados para pacientes com outras complicações de saúde, representando risco de lesão, por exemplo, as pessoas com doenças cardiovasculares.

O exercício físico, associado à dieta e terapia nutricional com atenção especial à quantidade de fibras e proteínas, é um importante aliado no controle do índice glicêmico no organismo. Essa parceria, não só ajuda no controle da hiperglicemia, como também é essencial na prevenção de outras doenças. Porém, é muito importante que a atividade física inicie apenas após avaliação e recomendação pelo médico de confiança, com acompanhamento de um profissional de educação física habilitado, que fará um programa de exercícios com frequência e intensidade respeitando as condições de saúde e limitações de cada um. Esse profissional deve estar sempre atento quanto aos riscos de complicações, especialmente à hipoglicemia. Um exercício bem indicado torna-se seguro e colabora na manutenção da normoglicemia.

Referências

  1. Informes Técnicos Institucionais. Programa Nacional de Promoção da Atividade Física “Agita Brasil”: atividade física e sua contribuição para a qualidade de vida. Rev Saúde Pública. 2002;36(2):254-6
  2. Brasil. A prática de esporte no Brasil. Ministério do Esporte. Brasília, 2015.
  3. Ministério da Saúde. VIGITEL Brasil 2019. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Estimativas sobre Frequência e Distribuição Sociodemográfica de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas nas Capitais dos 26 Estados Brasileiros e no Distrito Federal em 2019.
  4. Exercício físico e diabetes mellitus. Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes, 2019-2020.
  5. Hayashi, Cristiane e col. Efeito imediato do exercício físico sobre o comportamento da glicemia no indivíduo diabético do tipo 1 – estudo de caso.
  6. Silva C.A; Lima W.C. Efeito benéfico do exercício físico no controle metabólico do Diabetes Mellitus tipo 2 em curto prazo. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, V.46, n.5, SP, out. 2002.
  7. Gazola, V.A.F; et al. A atividade física no tratamento de pacientes portadores de Diabetes Mellitus. Arquivo Ciência Saúde Unipar, V. 5, n. 1, jan/abr – 2001, p.25-32.
  8. Scott SN, Cocks M, Andrews RC, Narendran P, Purewal TS, Cuthbertson DJ, Wagenmakers AJM, Shepherd SO. High-intensity interval training improves aerobic capacity without a detrimental decline in blood glucose in people with type 1 diabetes. J Clin Endocrinol Metab. 2019 Feb 1;104(2):604-612.

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